segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ciganos parte I


POSTO AQUI ALGUMAS CURIOSIDADES DESSE POVO MARAVILHOSO E SUA CULTURA MILENAR, ESPERO QUE TODOS GOSTEM E POSSAM APRENDER UM POUCO DO POVO CIGANO, BJOS À TODOS DO BABALORIXÁ TONY D' OGUM




Os Espíritos Ciganos são também, uma linha de trabalhos espirituais que busca seu espaço próprio, pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente como "encantadas".

São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo era confundidos como entidades espirituais que vinham como Exus, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exus e Pombas-Gira..

Existem Exus e Pombas giras que trabalham com nomes Ciganos, mais não são ciganos. Só utilizam estes nomes, que puxam a linha vibratória dos CIGANOS para seus trabalhos. Hoje, considerarmos dentro da Umbanda Ciganos puros todos os ciganos e ciganas que tiveram sua origem quando encarnados CIGANOS que tem seus costumes na sua origem. O culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, Mais estão enquadrados dentro da linha de Exus e Pomba-Giras chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos.

Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas “em algumas casas” e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza.

Encontraram na Umbanda um lugar quase ideal para suas práticas por uma necessidade lógica de trabalho e caridade.

Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.

São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego as coisas materiais.

Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.

Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita (Lado positivos), pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda (lado negativo), são elas que se incumbe de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem.

Santa Sarah Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com Sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.

Ciganos na Umbanda são espíritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano.

O cigano em geral tem seus rituais específicos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. A santa protetora do povo cigano é "Santa Sara Cali". Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espitiruais, os espíritos ciganos trabalham para a cura de doenças espitiruais.

Os ciganos, dentro da ritualística Umbandista, fala a língua "portunhol", alguns, poucos, fala o romanês, língua original dos ciganos. As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.

Roman Romany, romani, ou ainda romanês, é o dialecto usado pelos povos ROM e sintos, povos nômades geralmente conhecidos pela designação de "ciganos" e que na Europa de Leste e Europa Central são conhecidos por tsigane.

Este dialecto pertence ao ramo indo-ariano proveniente do grupo lingüístico indo-europeu do norte da Índia e do Paquistão, tais como o sânscrito, o prátcrito, o maharate e o punjabi. A moderna antropologia relacionou a língua romani com as línguas punjabis e potohari, faladas no norte do Paquistão.

Algumas palavras em Romanés

("Teavez Bartalo Sasto Vesto Romale")

Palavra = significado; Vitsa = qual grupo se refere.

• Angrosti = anel
• Bartalo = sorte
• Bartalo = sorte
• Bisigarno = Disputa (Roubada de Par)
• Céni = brinco
• Chucar = bonito
• Civca = fita
• Cris = polícia
• Chakano, Thierain = estrela
• Chavoro = menino pequeno
• Chavo = moço
• Cali = preto
• Diclô = lenço
• Dilabal = cantar
• Fakh = leque
• Idardi = cesta
• Jag = fogo
• Khan = sol
• Khelav = dançar
• Kaku = tio (vitsa: sirbianco, kalderash)
• Khosli = xale
• Korava = colar
• Koro = pulseira
• Idardi Luludi = Cesta de Flores
• Love = dinheiro
• Lolo = vermelho
• Moosh, Dzéno = homem
• Musi = braço
• Nano = tio (vitsa:lovará)
• Nais tuke = obrigada (o)
• Pai, Pani = água
• Pe = ar
• Perno = perna
• Piro = pé
• Pilen = tomar (bebida)
• Porizen = pandeiro
• Prama = jóia
• Piral = and

• Rholhaives = zangado, nervoso
• Rom = cigano
• Romi = cigana
• Rugo = rosa
• Saráli = saia
• Sato = relógio
• Shei = menina
• Shon = lua
• Shuckar = bonito(a)
• Tan = terra
• Tchecat Korava = testeira
• Tchér = bota
• Tchera = mulher
• Tchuri = adaga
• Tsara = tenda, casa
• Traio = vida
• Vast = mão
• Zumavipe = Desafio (Duelo)

Baseado em conjecturas, similaridades ou suposições.

A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo talvez dois ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo significado. E assim, os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send e de onde foram expulsos por invasores árabes.

Outros pontos também colaboram para que esta hipótese seja reforçada, como a tez morena comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas, e princípios religiosos como a crença na reencarnação e na existência de um Deus Pai e Absoluto. E com respeito à suas crenças, tanto para os hindus como para os ciganos, a religiosidade é muito forte e norteia muito de seu comportamento, impondo normas e fundamentos importantes, que devem ser respeitados e obedecidos. O fato do Povo Cigano não ter, até os dias atuais, uma linguagem escrita, fica quase impossível definir sua verdadeira origem. Portanto, tudo o que se disser a respeito de sua origem está largamente baseado em conjecturas, similaridades ou suposições.


Depois de vagarem pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. O que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática e militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a partir do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades que era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e criaram nomes poéticos para si mesmos.

No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalê (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia). São mais de 15 milhões de ciganos em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, América, Austrália e Nova Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem recebidos nos países aonde chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de forma pomposa, como príncipes, duques e condes (títulos, aliás, inexistentes entre os ciganos). Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim obtinham licença das autoridades locais para se instalarem.

Os ciganos chegados em Andaluzia no séc. XV vieram do norte da Índia, da região do Sind (atual Paquistão), fugindo das guerras e dos invasores estrangeiros (inclusive de Tamerian, descendente de Gengis Khan) eles encontraram facilidades e estabeleceram-se. Mesmo assim, durante a inquisição católica, vários deles foram expulsos pelos tribunais do Santo Ofício. . As tribos do Sind se mudaram para o Egito e depois para a Checoslováquia, Rússia, Hungria e Polônia, Balcãs e Itália, França e Espanha. Seus nomes se latinizaram (de Sindel para Miguel; de András para André; de Pamuel para Manuel, etc.). O primeiro documento data a entrada dos ciganos na Espanha em 1447. Esse grupo se chamava a si mesmo de "ruma calk" (que significa homem dos tempos) e falavam o Caló (um dialeto indiano oriundo da região do Maharata). Eles trouxeram a música, a dança, as palmas, as batidas dos pés e o ritmo quente do "flamenco", tanto que essa palavra vem do árabe "felco" (camponês) e "mengu" (fugitivo) e passou a ser sinônimo de "cigano andaluz" a partir do séc. XVIII.

Porém de acordo com a Tradição Cigana, a teoria mais freqüente sobre a origem do Povo Cigano, é que após um período de adaptação neste planeta, os ciganos teriam surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lar. (Existem lendas que falam que os ciganos seriam filhos da primeira mulher de Adão, Lilith, e, portanto, livres do pecado original) e por isso eles não aceitam de modo algum seres empregados dos “gadjé” (não-ciganos) e apegam-se a antigas profissões artesanais que caracterizam suas tribos e são ensinadas desde cedo às crianças.


O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.

Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos. Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus estigmas não sararam.

Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino.

A família é à base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a função de punir quem transgride a rígida ética cigana. A figura feminina tem sua importância e é comum haver

lideranças femininas como as phury-day (matriarca) e a bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da leitura da sorte.

Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza, pois para o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam os ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética; honra e justiça; senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema.

O líder de cada grupo cigano chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo ROM) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos.

Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.

O misticismo e a religiosidade fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.


O líder de cada grupo cigano chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo ROM) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos.

Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.

O misticismo e a religiosidade fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.



Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada Santa Sara Kali. Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua pele é negra tal como Shiva. Para os ciganos, Sara santa venerada, possui a pele negra, daí ser conhecida como Sara Kali, a negra. Ela distribui bênçãos ao povo, patrocina a família, os acampamentos, os alimentos e também tem força destruidora, aniquilando os poderes negativos e os malefícios que possam assolar a nação cigana. Seu mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano.

Quase todos são devotos de "Santa Sara", que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França. Através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".

A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos antigos falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um "acariciador". Outros falam das gavalies de La noille, as misteriosas noivas do fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez, passando desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os ciganos se casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias. Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma mulher pode mostrar as pernas, pois da cintura para baixo todas são merimé (impuras). Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as mulheres, que também são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à mesma mesa que os homens. Ironicamente, como praticantes da magia e das artes divinatórias, são elas que cada vez mais assumem o controle econômico da família, pois a leitura da sorte é a principal fonte de renda para a maioria das tribos. O resultado é uma situação contraditória, em que o homem manda, mas é a mulher quem sustenta o grupo.

As crianças ciganas normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o próprio nome e fazer as quatro operações aritméticas. A maioria das crianças não vai à escola com receio do preconceito existente em relação a elas. Claro que com o acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos, disfarçadamente, estão freqüentando as universidades e até ocupando cargos de importância na vida pública do país e já chegaram até à Presidência da República. (Washington Luiz e Juscelino Kubitshek).

Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado", quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande "madrinha". A celebrações da Lua Cheia acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é "maktub" (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Para uma kalin (cigana kalon), descendente desse povo, essa é uma hora em que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de "chamado místico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e, nos unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo.

Os Ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltarão quando morrerem ou quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios eles vêm cumprindo sua missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe Natureza, trocando e repassando conhecimento. Eles pregam a necessidade urgente de pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem um pouco caracterizado pelas mais elementares virtudes.

Ciganos parte II

******OS CIGANOS NO BRASIL******


A trajetória dos ciganos no Brasil começa no ano de 1574 com a chegada do primeiro cigano que se tem notícia. Na época de D’ Carlos V. Muitos eram nomeados Meirinhos da Corte, pessoas que levavam as notícias e comunicados do Reino a todas as Terras Brasileiras. Trabalhando também como Bandeirantes. Nestas inúmeras “levas” o número de Kalons era grande, e se destacavam com os principais sobrenomes: Monteiro, Savedra, Silva, Torres, Pereira, Ferreira, Lopes, Costa, Coelho, Carvalho, Torquato, Figueiredo e Alves, uma prova adicional de sua origem portuguesa. O Rom mais ilustre que chegou ao Brasil foi Jan Nepomuscky Kubitschek , que trabalhou como marceneiro em Diamantina, embora não sabemos se acompanhado da Rromhá. Conhecido com João Alemão deve ter entrado no Brasil por volta de 1830-1835, casando-se pouco depois com uma brasileira. O primeiro foi João Nepomuceno Kubitschek, que viria a ser um destacado político. O segundo foi Augusto Elias Kubitschek, um comerciante. Augusto Kubitschek foi designado como delegado de polícia. Também consta que teve pelo menos uma filha, Júlia Kubitschek, que viria a ser a mãe de Juscelino Kubitschek. Ou seja, um dos mais queridos presidentes do Brasil do Século XX foi um cigano, ou pelo menos um descendente de ciganos.
O primeiro que se tem notícia a chegar ao Brasil, foi o cigano João de Torres que veio com sua mulher e filhos. Portugal desde 1526 já fazia leis (preconceituosas) contra os ciganos, e em virtude de precisarem de ferreiros e forjadores de armamentos os mandaram para esta Colônia distante para servir ao reino de Portugal.


Algumas destas “LEIS”, elaboradas pelo Reino Português eram absurdas, Em 1686, são expulsos de Espanha, Portugal e das Colônias Portuguesas na África, ao virem para o Brasil entraram por Maranhão e Pernambuco, se espalhando aos poucos por todo Brasil. Os lugares que registram mais ciganos na atualidade são: Rio de Janeiro, (havia inclusive no


Centro do RJ há muito tempo atrás uma rua que se chamava Rua dos Ciganos. Hoje Rua da Constituição) Rio Grande do Sul e nas diversas fronteiras que tem o nosso país. Aqui nesta Terra, foi um pouco melhor, mas não deixaram de enfrentar preconceitos. Os que chegaram mais ainda estavam sobre o domínio dos Portugueses, eram proibidos de falar o Romanê, e esta lei só caiu em desuso no ano de 1900. Eram destinados a trabalhar na forja. Fabricavam ferraduras, ferramentas, apetrechos domésticos e outros. Com a sua facilidade de “andar” pelo mundo, eram nomeados Meirinhos da Corte, pessoas que levavam as notícias e comunicados do Reino a todas as Terras Brasileiras. Trabalhando mais tarde também como Bandeirantes. Nestas inúmeras “levas” o número de Calons era grande, e se destacavam com os principais sobrenomes: Monteiros, Savedras, Silvas e Torres. Sendo o Ferreira comum aos ciganos de outros Clãs vindos da Espanha. Inúmeros ciganos serviram ao Exército Brasileiro nas mais diferente épocas, em busca de moedas de ouro e sossego. E quando as damas da corte sabiam que estes militares comandados eram ciganos, sabiam de ante mão que eram casados com ciganas e da-lhes as importunar, em busca de amor, poções e outros xavecos. As mesmas que exerciam seu preconceito, na ocasião das missas, freqüentavam suas Tsaras escondidas à tarde para tudo lhes pedir. E assim é até hoje para muitos. Muitos ciganos em virtude da sobrevivência omitem o fato por causa do preconceito, só exercendo sua ciganidade em casa, e nas festas dos clãs, dos quais jamais se separam. Hoje no Brasil há uma prova muito grande que mostra o preconceito contra os ciganos. Existem associações específicas. Só os ciganos que tem que contar exclusivamente com seu Clã. Isto prova que para todas as sociedades do mundo nós não existimos.

Os gadjós (alguns), tem arraigado muitas “verdades” sobre nós e só nos querem em festas e bailes. Para encantar magias ou se infiltrar conosco. Por isso nesta Nova Era os ciganos decidiram se abrir um pouco, para que seja amenizado este círculo de incompreensão sobre o nosso povo. E temos tido muito êxito, muitos gadjós, se aproximam como irmãos no mundo, se aproximam da beleza do universo cigano para trocar boas energias, graças a Deus.




RODA CIGANA

Uma canção triste, assim começa a musica cigana, como um lamento pelas injustiças sofridas por seus anti- passados . Não demora muito e a melodia ganha um ritmo alegre, anunciado que as dificuldades poderão ser vencidas.

Nesse momento de descontração as mulheres ganham um destaque especial. É nessa roda, geralmente ao redor de uma fogueira, que elas podem conquistar a liberdade, mesmo que por poucos minutos. Já que os homens quase sempre apenas batem os pés e estalam os dedos.

Para demonstrar alegria, as ciganas geram, lançam olhares maliciosos e deixam os braços soltos. Para seduzir, o corpo faz um balanço para frente e para traz, com um leve gingando de quadris.



O CASAMENTO

O casamento é a tradição mais preservada e representa a continuidade da raça, exatamente por esse motivo, a união com não ciganos não é permitida e, se ocorrer, a pessoa é excluída do grupo. Segundo o costume, as meninas ciganas costumam ser prometida em casamento, acordo feito pelos pais. Não é permitido nenhum tipo de intimidade antes do casamento, são dois ou três dias de comemoração, nos dois primeiros, os noivos ficam separados atendendo os convidados, somente na terceira noite é que podem ficar sós pela primeira vez.

Os ciganos são radicais quanto à preservação da virgindade, a noiva deve comprovar através da mancha de sangue no lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso não seja virgem, poderá ser devolvida aos pais, que deverão indenizar os pais do noivo.

No casamento cigano, a família do noivo é responsável pelo pagamento da noiva, do vestido branco, do vestido vermelho e todas as despesas da organização e do enxoval.

Geralmente a festas ocorrem em tendas especialmente preparadas, onde oferecem uma farta refeição, bebidas e muita música e dança.
Curiosidade

No casamento são usados os mesmos símbolos do noivado: os dois punhais, o lenço vermelho, vinho, pão, sal e uma taça de cristal. (que ao invés da nossa aliança tradicional usam-se esses elementos para firmarem o compromisso)

O vinho é para garantir a alegria permanente do casal, o pão e o sal representam a união, a taça de cristal é para que a harmonia se mantenha presente e o punhal serve para a comunhão do sangue.

Algumas particularidades distinguem e dão a um casamento cigano o seu caráter específico. Reunindo ciganos de todas as partes do país, e mesmo do exterior, pois os convites são dirigidos aos membros da comunidade em geral.

As despesas das festas de noivado e de casamento, incluindo sua organização e o vestido de noiva, são de responsabilidade da família do noivo. Os preparativos do banquete de casamento ocorrem na residência dos pais dos noivos. Num esforço comunitário, com a participação dos parentes mais próximos do noivo - homens e mulheres envolvidos - são preparados os pratos típicos da festa.

No dia do casamento na igreja, antes de todos partirem para a cerimônia, ocorre uma seqüência de eventos, agora na casa da noiva. Esta já está pronta, vestida de branco, quando chega à família do noivo, dançando ao som de músicas ciganas.

Na sala de jantar, onde já está disposta a mesa com diversas comidas e bebidas, os homens se sentam. De um lado da mesa, a família do noivo. Do outro, a da noiva. A conversa acontece em romani, às mulheres permanecem à volta. É simulada uma negociação - a compra ritual da noiva. Moedas de ouro trocam de mãos. Em seguida, abrem uma garrafa de bebida, envolvida em um pano vermelho bordado, que os homens à mesa bebem – a proska.



Surge então à noiva, vestida de branco, pronta para casar-se. Mais música e agora a noiva dança com o padrinho, ainda na sala de jantar/estar. Em seguida, todos saem para se dirigirem à igreja; a noiva em uma limusine. O cortejo com as famílias seguindo, e apenas o noivo não estava presente, pois aguarda na igreja. Lá, a cerimônia é convencional, exceto pelos trajes dos convidados e padrinhos vestidos com as tradicionais roupas ciganas, e a profusão de jóias. Apenas algumas dezenas de convidados compareceram à cerimônia religiosa, considerada mais íntima.
O momento seguinte do casamento ocorre num clube alugado para a ocasião e onde um conjunto garante a animação musical da festa. Desde o início, danças em círculo e uma bandeira vermelha com o nome dos noivos. Os convidados vão chegando aos poucos, juntando-se às danças, enquanto duas grandes mesas, ao longo das paredes, são arrumadas. No banquete, homens e mulheres ficarão separados, em lados opostos. À medida que cresce o número de pessoas, aumenta de certa forma, a confusão: a solenidade das mesas contrasta com os colchões espalhados nos cantos do salão, onde dormem crianças.

A festa vai chegando ao fim quando a noiva deixa o salão de festas, juntamente com a família do noivo, à qual passa a pertencer. Entre a festa do primeiro dia e a que ocorrerá no dia seguinte, há a noite de núpcias do casal.


O SEGUNDO DIA
A festa começa novamente no dia seguinte, agora na casa dos pais do noivo, onde o casal passa a residir. O banquete continua - agora para um número menor de convidados. No lugar do branco do dia anterior, o vermelho se sobressai na festa - nos cravos, usados pelos convidados, na decoração, na bandeira, nas roupas da noiva. Esta, à entrada da casa, recebe cada convidado, junto a uma bacia com água de onde tira cravos vermelhos, para oferecer-lhes. Em troca, recebe notas de dinheiro, geralmente de
pequeno valor.



"A continuação da festa de casamento, depois do primeiro dia, será toda voltada para a noiva, que é agora, uma mulher casada. Sempre acompanhada do marido, ela deixa o semblante triste que a acompanhou até este momento. Todos a procuram para receber dela uma flor vermelha e crianças, jovens e velhos lhe retribuem com dinheiro. Isso significa que a cumprimentam por seu novo status na sociedade, alcançado segundo a tradição dos ciganos.”
No terceiro dia
Após a cerimônia de casamento é dada uma trégua na grande festa: os convidados esperam o resultado do ritual do desvirginamento (isto é em algumas culturas ciganas).


Ciganos parte III



Nascimento e Morte no Povo Cigano.


O povo Cigano tem um grande respeito pela vida, seja ela, animal, vegetal ou
humana, os animais que eles matam são apenas para seu consumo e para matar a
fome do clã, o povo cigano não mata por esporte, nem animal nem planta, vivem em
profunda harmonia com a natureza, tirando dela apenas o necessário para suas
provisões, logo não é de se admirar que o nascimento de uma criança cigana é
motivo de grande mas grande festa mesmo se estendo por 02 ou 03 dias.

Cada criança cigana que nasce é uma esperança na continuidade da cultura desse
povo maravilhoso, as crianças são consideradas por eles como um ser especial que
vem trazendo uma mensagem de esperança e acima de tudo de continuidade do clã.
Se for o primogênito do casal representa a inauguração de uma nova família, e
também o jovem pai ganha prestígio, autoridade e responsabilidade iguais a dos
mais velhos, a mulher também se beneficia com a maternidade, já que deixa de ser
bori (nora) para virar mãe, isso dá muito mais autoridade a cigana, que antes
tinha que se sujeitar a sogra..

Essa criança poderá ser batizada em uma ou mais religiões, o povo cigano faz
questão do batismo as vezes em várias religiões pois acreditam que isso trará
sorte para a criança, no decorrer de sua vida, porém um dos rituais mais
importantes e que é feito apenas a moda cigana é o ritual do nome da criança,
sua realização começa no momento da primeira mamada, quando a mãe fala em seu
ouvido de forma que apenas a criança escute o seu nome secreto, que ninguém mais
conhecerá e que a criança só ficará sabendo no dia do seu próprio casamento,
mais tarde, nos festejos, a criança receberá um segundo nome, este para ser
usado e conhecido no clã e finalmente, terá também um terceiro nome, este para
ser usado apenas no mundo dos gadjós.

Assim começara a ser forjada a identidade cigana dessa criança, seu primeiro
mistério e a relação diferenciada com o mundo dos não-ciganos.

Na maioria dos clãs, logo que a mulher está para dar a luz, trazem as vezes 03
parentas chegadas que a acompanham até o nascimento da criança (chinorré), do
lado de fora do local do parto, os visitante rezam cantos sagrados a Duvvel,
para suavizar o sofrimento da mãe

dar proteção à criança que está para vir ao
mundo.


No pescoço da mãe pendura-se patuás, figas e talismãs milagrosos, sem se
esquecer das rezas que estão sendo feitas pelas 03 parentas, o rosto da mãe é
soprado, pois não podemos esquecer que o sopro exerce um ritual mágico e
religioso, o homem foi criado pelo sopro de Deus, a vida se mantém pelo sopro e
com ele vai embora (ultimo suspiro), se você reparar no batismo católico o padre
sopra o rosto da criança no ritual de batismo, resumindo todos os cuidados eram
tomados de forma que a mãe não morresse no parto, pois este evento para os
ciganos e tido como a maior desgraça!

Nascida à criança, era avisado imediatamente às pessoas que estavam do lado de
fora, "chegou ao mundo dos vivos um menino (a), e todos cantavam agradecendo a
graça, em alguns clãs a criança é lavada com água e vinho em uma bacia de prata,
dentro dessa bacia eram também colocados colares e moedas de ouro, flores,
ervas, frutas e madeiras aromáticas para que a criança tenha assegurada sua boa
sorte, prosperidade e saúde, depois disso feito do corte do cordão umbilical, a
criança linda, embrulhada em linho branco bordada, perfumada e devidamente
defumada com alfazema, o pai pega a criança no colo da-lhe um beijo, a mãe era
preparada para as visitas, recebia os presentes em nome do recém-nascido. Ouro e
objetos muito valiosos eram vendidos para ajudar na compra do enxoval.


A alguns clã ciganos da Europa que fazem fogo na entrada de sua casa ou tenda
(uma criança nascida em acampamento cigano nasce numa tenda e nunca numa carroça
essa tenda é chamada de "o bender" ) o fogo serve para afastar os maus
espíritos, de quem os ciganos escondem o verdadeiro nome da criança. Depois a
criança é apresentada para a lua por uma shuvani (feiticeira) ou pela Baba
(mulher mais velha) do clã, ela balança a criança mostrando para a lua e implora
a mesma mais ou menos com os seguintes versos " Lua Luar, tome esse filho e me
ajude a criar, ou podemos ainda dizer Lua, Lua, leva esta criança para andar e
criar e após criada torne a me dar (este costume de apresentar a criança a lua,
tem registro no Brasil e em Portugal, a Lua Cheia é considerada a madrinha das
crianças, como também tal tradição se registra nos clãs mamuches, matchuaias e
Kalóns que vivem no interior do Brasil).

Às vezes no batismo a criança era totalmente imersa na água, outras vezes se
derrama a água sobre o corpo da criança, esta água ficará em um cântaro e, antes
de banhar o bebê deverá ser passada pela lâmina de uma faca ou punhal bem
afiado, porque, se acredita que a força do punhal será passada para a criança
dando-lhe proteção, a água deverá ser fria e colhida de um riacho ou cachoeira.

Além desse ritual que é feito pelos pais e comemorado pelos avós da criança, os
ciganos costumam consagrar o bebê a um santo protetor e no dia de seu
aniversário (slava) este santo protetor também será reverenciado no dia anual do
santo protetor.

Devido ao modo de vida sedentário que hoje temos no mundo, e pelo próprio
desenvolvimento globalizado do mundo, essas tradições estão ficando cada vez
mais perdida nas brumas do tempo, porém com certeza ainda até nos dias de hoje
existem ciganos que cumprem sua tradição e seus costumes religiosamente.

A MORTE


Os ciganos da Europa acreditam que quando se ouve um pio de coruja distante é
sinal que uma pessoa muito próxima a nós irá morrer, porém se o pio da coruja é
alto e forte, uma pessoa distante passará entre os mundos dos vivos e dos
mortos.

Quando uma pessoa anciã do clã esta doente e sua morte foi prevista, é avisado a
todos os seus parentes de longe e de perto não importa onde esteja, a vida,
doença e morte do ancião é prioridade sobre todos os outros assuntos.

Várias providências serão tomadas em favor do doente: o doente nunca ficará
sozinho, até o seu último suspiro. Este momento é de muita união dentro do clã,
mas é um momento que se manifesta muito pouca emoção, em relação ao doente.

Quando o doente morre os ciganos acreditam que seu espírito ficará entre o mundo
dos vivos e dos mortos até que seja feito o enterro, eles acreditam que tem que
se facilitar a passagem do doente para o mundo dos mortos, e, para isso é
chamado um Kaku (feiticeiro) e uma shuvani (feiticeira), esse ritual é feito no
silêncio das florestas e próximo a água corrente, sem que ninguém do clã saiba.

Uma pequena fogueira é acesa, bem distante do fogo da cozinha logo que a pessoa
morre, o fogo deverá ser feito de uma forma que não se apague, coloca-se em suas
chamas, tomilho, sálvia, alecrin e eucalipto, porém deve seguir essa ordem o
nome do morto deverá ser repetido 09 vezes enquanto o Kako ou a Shuvani dá sete
voltas em sentido anti-horário em torno da fogueira, depois o fogo deve se
apagar sozinho e lentamente.

Feito o enterro, todo mundo participa dos rituais da pomana (feito após a morte
e enterro) este ritual é em homenagem ao morto, nesse ritual todas as comidas
prediletas do falecido será servido de forma cuidadosamente preparada e decorada
para tal evento, e o lugar do morto a mesa estará assegurado, a partir desse
momento o morto será lembrado, e sua memória reverenciada por todos, afinal eles
acreditam que o espírito do morto esteja protegendo o clã, sendo ele mais um
mensageiro entre o clã e Duvvel. (Eles acreditam que a pessoa continua rodeando e amparando os que deixaram no mundo dos vivos e todos os pertences do falecido devem ir junto com ele.)

OS IDOSOS


Quanto mais velhos o cigano, mais respeito ele tem junto ao seu povo. Eles atuam como consultores e magistrados nos tribunais ciganos. São sempre procurados para resolver questões e situações difíceis, sendo seus conselhos acatados como lei. Os idosos devem sempre ter lugar de destaque nas festas, e os mais jovens precisam sempre beijar-lhes as mãos em sinal de respeito.

Ciganos parte IV

O Dom Da Vidência


Os ciganos acreditam que Deus os colocou no mundo
para praticar o dom da adivinhação com a finalidade
de ajudar seus semelhantes.
Mas são as ciganas que mais exercem esse privilégio.
Aos sete anos, elas aprendem a ler a sorte
e depois de mais de sete anos seguidos,
elas saem às ruas para atender as pessoas.
Além da Quiromancia (leitura das mãos),
as ciganas podem exercitar a vidência através
de vários objetos como pedras, moedas, borra de café, copo d’água, bola de cristal, jogos de carta e Tarô. As ciganas transmitem energia pelo olhar e recebem a mensagem das pessoas pelo olho místico, que se encontra localizado no meio da testa e na palma da mão. Esse dom da adivinhação não é usado somente para prever o futuro, como também para detectar algum problema de saúde.
Para manter esse dom, a mulher cigana não deve nunca cortas os cabelos porque, ao fazê-lo, terá sua força energética diminuída

Os meios de adivinhações dos ciganos: Dados, Moedas, (Domino uma vez por ano)

Baralho, Bola de Cristal, Leituras de Mãos, Mandalas, Clarividência, Runas, Pêndulos e Olhar. Os dias de consagração para jogar são: Terça- feira, Quarta- feira e Domingo.


******RUNAS*****





A origem das Runas data de tempos imemoriais, oriundas do norte da Europa, muito antes do aparecimento do cristianismo. Os mestres rúnicos da antigüidade riscavam os seus símbolos sagrados em seixos ou em gravetos de uma árvore frutífera, utilizando até o próprio sangue para dar-lhes a força mágica espiritual que almejavam. As Runas não representam um simples alfabeto de uma escrita antiga, mas sim, cada letra é um símbolo sagrado e autônomo. Cada Runa representa um arcano ligado a entidades representativas de Deuses da mitologia nórdica. Os símbolos por sua vez têm uma energia individual e uma vibração característica que se expressa na força específica de cada Runa. O campo vibratório se altera na medida em que vários símbolos são conjugados para um trabalho em grupo. É essa força que estimula a intuição do "runamal" (cujo significado é a Runa falada ou os intérpretes que faziam as Runas falarem, o que recebiam esse cognome). Na antigüidade, o profundo conhecimento acumulado era transmitido de geração a geração a um círculo de homens sábios e mulheres de conhecimento que haviam sido iniciados para isso, mas mesmo assim, ele jamais foi monopolizado e concentrado na mão de um grupo restrito como freqüentemente acontece quando o poder é manipulado. Muitos mestres adicionavam novas revelações recebidas durante a convivência intensiva com o oráculo mantendo assim a chama das Runas acesa durante milênios. Mesmo no mundo material da atualidade, os símbolos rúnicos continuam vivos e alcançáveis por quem quer que se interesse por eles. O convívio estreito com o oráculo faz com que o "runamal" ou mesmo o próprio consulente, ganhe uma intuição quase infalível. Embora as Runas representem o oráculo europeu mais antigo não quer dizer que elas não se adaptem a jogos da modernidade. Elas funcionam em forma de baralho, ou em jogos eletrônicos, com a mesma presteza. A resposta do oráculo será tão precisa como seria se pintássemos os seus símbolos em seixos com o próprio sangue. Todavia, seja qual for o meio de adivinhação rúnica aplicada, sempre deverá ser precedido por um momento de introspecção e concentração para que a sintonia do interlocutor em relação ao campo rúnico possa se estabelecer e que a energia flua corretamente entre os dois pólos estabelecidos. A simbologia rúnica é o portal que se abre para nos conceder acesso ao subconsciente. A pergunta formulada pelo consulente deverá ser clara e objetiva, como: A QUESTÃO É O MEU CASAMENTO. - ou A QUESTÃO É A SAÚDE. Etc. A resposta do oráculo sempre será uma revelação direta, porém envolta em sutilezas que farão com que o interlocutor se auto-analise e mergulhe no fundo de seu ser. A própria raiz da palavra Runa, o "ru", em língua germânica arcaica, é sempre ligado a segredos e mistérios ou a algo muito confidencial. Runwita era um sábio ou conselheiro do rei, conhecedor de todos os "segredos". Runa em alemão arcaico tem o mesmo significado que "raunen" em linguagem atual e quer dizer sussurrar ou confidenciar. O "roun" dos escoceses antigos e o "rún" da Islândia têm a mesma conotação, sempre associado a mistérios e segredos.

Na ocasião em que a atual Grã-Bretanha foi colonizada pelo anglo-saxãos, existiram alfabetos rúnicos com o número de símbolos diferenciados (28 letras e posteriormente 29. Na região norte da Inglaterra, acima do rio Humber, um pouco mais tarde havia 33 símbolos. - O verdadeiro alfabeto, que além de ser a base para as escritas nórdicas e teve seu uso em magias, rituais e oráculo são o F U TH A R K, composto de 24 símbolos, agrupados em 3 "aetts", ou seja, conjuntos de 8 letras cada, lidas da direita para a esquerda.

O primeiro "aett" corresponde às Runas Fehu, Uruz, Thurisaz, Ansuz, Raido, Kano, Gebo e Wunjo e a sua regência é de Freyr e Freyja, divindades da fertilidade e da criatividade.

O 2º grupo de "aetts" é composto de Hagalaz, Nauthiz, Isa, Jera, Eihwaz, Perth, Algiz e Sowelu. Regidas por Hemdal e Mordgud, respectivamente o Deus da proteção pessoal e a Deusa, guardiã das entradas para os mundos subterrâneos.

O 3º "aett" tem a proteção do Deus Tyr e de sua companheira Zisa. São entidades guerreiras que em especial, resguardam a autodefesa do individuo. As Runas são: Teiwaz, Berkana, Ehwaz, Mannaz, Laguz, Inguz, Othila e Dagaz.


ESCRITAS RUNICAS RELACIONADAS COM O ALFABETO ATUAL


A Natureza dá a Força

Os ciganos preservam e usam muito os quatros elementos fundamentais da natureza Terra, Fogo, Água e Ar nos seus rituais para eles o Fogo é muito importante, porque queima a negatividade e ilumina apositividade um objeto que concentra os quatros elementos e que é muito usado por este povo é a vela. A Água e a Terra são representados pela cera e o pavio o Fogo é a chama e o ar (oxigênio) a manter viva (acesa). Estas são as lendas, mistérios e magias da vida desse povo fascinante. E mais místicos da terra. E ainda utilizam as fases lunares para seus encantamentos. Seus trabalhos, Jogos e magias têm ligações diretas com w natureza logo seu efeito será proveniente da força vibratória que ela transmite.

As cores para os ciganos




O arco-íris cigano

“Cigana, tu que és um espírito de luz, quando cruzares o nosso caminho com tua saia e fitas coloridas, irradia a força do arco-íris e envolve-nos de energia positiva, nos livrando de toda e qualquer negatividade que porventura se aproxime de nós.”

O povo cigano não aprecia a cor preta. Evitam-na inclusive misturada com outras cores. Esta cor lembra-lhes o luto, o drama, a inércia e o caos. Para eles, a liberdade representa o colorido da vida. Sua cultura e sabedoria são passadas diretamente, de geração para geração. Sabiamente, os ciganos sabem aproveitar todos os tons coloridos nas suas roupas, trajes e adornos. Para eles, nessas matizes existem alguns segredos, cuja importância falaremos a seguir.

Através das cores podemos obter o equilíbrio e a cura de muitos males físicos e espirituais. Somos beneficiados com o conhecimento e a importância da cromoterapia e podemos empregá-los no uso de vestes coloridas, na escolha dos alimentos a serem ingeridos, na decoração de nosso lar, no uso de pedras e cristais, ou também, na irradiação de luzes nas mais diversas cores.

O branco nos traz uma sensação de paz, tranqüilidade espiritual, discernimento no campo material e relaxamento mental. Deve ser usado para controlar nossa ansiedade e inquietude interior.

O amarelo libera nossa criatividade, ativa nosso poder mental, favorece a inteligência e nos devolve a autoconfiança, quando esta foi perdida. Deve ser utilizado em ambientes de leitura, estudo e negócios (Fortuna e dinheiro).

O azul claro é indicado para liberarmos a nossa emoção e trabalharmos a nossa sensibilidade. Tem efeito altamente relaxante. Deve ser usado durante a noite para dormir e para amenizar os estados de tensão.

O azul escuro traz confiança, disciplina, organização e estabilidade. Deve ser usado para trazer amadurecimento material e espiritual, e quando precisamos nos impor sem ferir os que estão ao nosso redor (Harmonia e paz)

O lilás lembra a meiguice, o romantismo e a fantasia. Deve ser utilizado quando nos encontramos em fases de extrema cobrança exterior, rigidez, desencantos e austeridade com os outros e com nós mesmos (espiritualidade)

O violeta é a cor do poder, da evolução espiritual, da cura, do misticismo e do lado oculto da vida. Deve ser empregado quando estamos deprimidos, preguiçosos, negativos, solitários e rancorosos (espiritualidade)

O verde é bom para a saúde, para o coração, para o lado emocional. Traz-nos esperança, harmonia, confiança e disposição para viver. Deve ser usado quando estamos debilitados físicos, emocional e espiritualmente. Recupera o nosso vigor, nossa agilidade e juventude.

O rosa traz suavidade, amor, receptividade e alegria de viver. Muito bom para crianças, velhos e pessoas carentes. Deve ser usado para os momentos em que só encontramos defeitos em tudo e todos, nos lamentamos das oportunidades perdidas e não achamos graça em nada.

O vermelho nos remete às paixões, ao otimismo, à luta pela vida, ao lado de guerreiro que mora dentro de cada um de nós. Deve ser utilizado quando precisamos de energia, excitação, força, coragem. Esta cor aflora os desejos mais íntimos, tanto sexuais quanto amorosos (paixões, amores e sedução)

O laranja, cor sagrada para este povo que veio do Oriente, representa o entusiasmo, a liberdade, o magnetismo e o prazer de estarmos vivos. Deve ser usada para quando nos encontramos presos a situações, quando nos sentimos isolados e buscamos o sucesso na vida.

Que o colorido do povo cigano possa trazer uma primavera de alegria e felicidade para todos nós em todas as fases de nossa vida!

Energias positivas de Saúde, Paz e Amor!







*****Música e Dança*****


As danças ciganas são do tipo pausado do tipo Egípcio, Rumba Agitana, Flamenga, Sete veis, Dança das moedas, Dança do Ventre

Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa. A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco. Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. No Brasil, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam. Exibem sua dança, bailando ao som dos violinos e acordeões. Assim são as graciosas e faceiras ciganas, que encantam com seus mistérios, com suas saias rodadas, seus lenços coloridos, pandeiros enfeitados com fitas e suas castanholas.
Os ciganos dançam com seu porte elegante, transmitindo a todos serenidade e dignidade. Seu ritual é a dança do fogo, bailando ao redor da fogueira até o dia amanhecer, transmitindo a todos sua alegria e proteção de sua padroeira Santa Sara Kali, que faz da liberdade sua religião.

Os instrumentos ciganos: Banjo, Pandeiro, Violas, Castanhas, Flautas e Guizos.